sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A Física em Chico Buarque - parte 3




A música da vez é Rosa dos Ventos. Esta música foi gravada no álbum Chico Buarque de Hollanda nº 4, de 1970. Parte desse álbum foi gravada ainda no exílio, em Roma, e retrata de maneira muito forte a realidade vivida à época.

A repressão política e cultural calava a todos, causando tristeza e impedindo, inclusive, o choro. Mas a letra mostra também a possibilidade de mudança, e a Rosa dos Ventos acaba por perder-se em meio a revolução que inunda o mar de água doce! Linda e forte, digna de seu autor e de sua época.

E vamos a Física nesta letra!

Rosa dos Ventos

E do amor gritou-se o escândalo
Do medo criou-se o trágico
No rosto pintou-se o pálido
E não rolou uma lágrima
Nem uma lástima para socorrer
E na gente deu o hábito
De caminhar pelas trevas (ausência da luz)
De murmurar entre as pregas
De tirar leite das pedras
De ver o tempo correr (passar do tempo, devido a rotação da Terra em torno do Sol)
Mas sob o sono dos séculos
Amanheceu o espetáculo (início de um novo dia, devido, também, a rotação da Terra em torno do Sol)
Como uma chuva de pétalas (fenômeno meteorológico, precipitação de gotas de água)
Como se o céu vendo as penas
Morresse de pena
E chovesse o perdão
E a prudência dos sábios
Nem ousou conter nos lábios
O sorriso e a paixão
Pois transbordando de flores
A calma dos lagos zangou-se
A rosa-dos-ventos danou-se (representa as quatro direções fundamentais, norte, sul, leste e oeste, e as suas intermediárias)
O leito do rio fartou-se
E inundou de água doce
A amargura do mar
Numa enchente amazônica
Numa explosão atlântica
E a multidão vendo em pânico
E a multidão vendo atônita
Ainda que tarde o seu despertar

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Quer ouvir a música, clique aqui! E divirta-se.

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